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Relacionamento. Essa é uma
palavra presente na vida de todos os seres humanos,
independentemente de faixa etária, sexo e raça. Tudo começa dentro
do lar. Os pais e familiares próximos são as primeiras pessoas com
quem o indivíduo estabelece laços afetivos. Anos depois, a criança
começa a se relacionar com coleguinhas na escola, na igreja e na
vizinhança. O tempo passa e esse indivíduo se depara com uma
complicada situação: sua vida sentimental.
Geralmente, na pré-adolescência, o
menino e a menina se enxergam de forma diferente. O primeiro já não
quer mais jogar bolinha de gude ou brincar de carrinho. E a segunda
não quer mais saber das bonecas, nem das brincadeiras de casinha.
Tudo começa a ficar estranho. Quando ela olha para o vizinho, seu
coleguinha há anos, sente um frio estranho na barriga. No caso dos
meninos, aquela colega de turma deixa de ser a chata para ser a
linda, e não é nada agradável admitir que sente o coração bater mais
forte assim que a vê.
Momentos de adaptação
Toda mudança exige uma adaptação. É
necessário um preparo. O jovem, no entanto, não estudou durante a
infância sobre como lidar com seus sentimentos, até porque não é
assim que acontece. E esse despreparo, às vezes, se torna um fardo
pesado. Em alguns casos, jovens evangélicos encontram dificuldade de
compreender o assunto porque nunca conversaram sobre isso com seus
pais, líderes de escola bíblica e pastores. O tema complica ainda
mais quando, sem respostas, o jovem começa a namorar e inicia o novo
relacionamento sem saber como fazê-lo.
Para a psicóloga clínica e escolar
Elaine Cruz, autora do livro “Namoro é + Sexo é –” (foto) O que
Somar? Quando Subtrair?, publicado pela MK Editora, a época em que
vivemos é privilegiada, já que podemos desfrutar de um progresso
tecnológico que inclui telefones celulares, computadores e Internet.
Segundo Elaine, todo o mundo está conectado em uma, agora, aldeia
global. A facilidade da informação é positiva, mas aumenta a
responsabilidade do jovem, que necessita de mais conhecimento para
enfrentar, por exemplo, o competitivo mercado de trabalho.
De acordo com a psicóloga, além das
descobertas que o jovem passa no seu processo natural, ele tem que
se dedicar para ser bom na escola, no curso de idiomas, de
informática e no pré-vestibular. A pressão é grande e muitos
procuram meios para fugir da responsabilidade. É nesse ponto, que,
segundo Elaine, a educação dos pais com base na Palavra de Deus é
importante. Normalmente, jovens que não contam com esse apoio tomam
o rumo das drogas, do sexo e da violência.
A especialista explica que a violência é
estimulada em filmes e desenhos animados. Já a pornografia, desde o
início de 2000, está cada vez mais comum em revistas,
longa-metragens, na televisão e, principalmente, na Internet, com o
crescimento do número de sites eróticos e chats de encontro.
Importância do limite
Com a propagação do erotismo, o jovem
tem sido doutrinado pela mídia a praticar relações sexuais o quanto
antes. Segundo Elaine, o resultado disso é a dura realidade de moças
e rapazes contaminados por doenças sexualmente transmissíveis,
inclusive a Aids, e adolescentes grávidas, que não têm maturidade
para cuidar dos seus bebês ou que optam pelo aborto.
Para Elaine, o fácil acesso à informação
é ótimo, porém, como tudo, deve ter limites. Os pais devem saber o
que os filhos, ainda pequenos, têm assistido na televisão, os sites
que têm visitado na Internet e o andamento da criança na escola,
incluindo, nesse ponto, as amizades. A presença dos pais no
crescimento dos filhos é fundamental para que eles aprendam a fazer
escolhas. De acordo com a psicóloga, todo relacionamento está ligado
em saber dizer sim ou não.
Mas o que isso tem a ver com a vida
sentimental do jovem? Segundo Elaine, tudo. "As decisões amorosas
são as mais difíceis. Ultimamente, as pessoas têm vivido
relacionamentos cada vez mais curtos. Alguns envolvimentos são tão
rápidos que nem o nome de relacionamento podem receber", dispara.
Elaine explica que a maioria dos jovens não namora, mas “fica” com
alguém durante um pequeno tempo. Às vezes, em uma noite, o casal se
beija, mantém relações sexuais, porém mal se conhece. Não se sabe
nada sobre o outro, nem mesmo nome ou idade.
Esse comportamento pode ser resultado do
medo de uma decepção. Para Elaine, os jovens estão cada vez mais
perdidos quando o assunto é namoro, principalmente aqueles que
valorizam os ensinamentos cristãos. As pessoas não sabem quem
namorar, como namorar, que limites impor e se devem ou não praticar
sexo antes do casamento. Esses e outros questionamentos podem ser
evitados se o assunto não se tornar um tabu e for tratado pela
família com sabedoria. Com relação a isso, Elaine ressalta que esse
é o objetivo do livro que escreveu, direcionado não só ao jovem, mas
aos pais, que devem ter respostas para as dúvidas de seus filhos.
“A proposta é ampliar o conhecimento do
jovem sobre o namoro, discutindo o assunto de forma direta e
transparente. A maioria dos exemplos e questionamentos apresentados
no livro foram retirados de situações de consultório e palestras. O
objetivo é mostrar ao jovem cristão que ele pode resolver seus
conflitos sentimentais respeitando os limites impostos por Deus e
pela sociedade”, finalizou a especialista.
Viviane Chaves
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