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Esta
pergunta merece algumas considerações, antes de ser respondida.
Primeiro:
Esta pergunta expressa um genuíno desejo de desenvolver um
relacionamento agradável a Deus. É dever de todo cristão
agradar em tudo ao seu Senhor. A Bíblia nos diz: "Quer vocês
comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória
de Deus" (I Coríntios 10:31).
Segundo:
o contato físico não é a prioridade do namoro. Neste período,
você deve se concentrar no desenvolvimento de virtudes como:
confiança, respeito e amizade, que serão a base de um futuro
casamento; e o contato físico pouco, ou nada, tem a contribuir
neste aspecto.
Terceiro:
Responder a esta pergunta estabelecendo regras e proibições
é uma tentativa extremamente simplista e inócua. Em Colossenses
2:20-23, o Apóstolo nos diz que regras como "não
prove", "não toque", são mandamentos e ensinos
humanos; e completa: "Estas coisas não têm valor algum para
refrear os impulsos da carne". O salmista pergunta:
"Como pode o jovem manter pura a sua conduta?" E ele
mesmo dá a resposta: "Vivendo de acordo com a Palavra de
Deus." (Salmo 119:9). Se nosso amor e compromisso com Deus, não
nos impedem de pecar, não serão regras e proibições que irão
fazê-lo.
Portanto,
não existe nenhuma resposta pronta para esta pergunta. Não há
nenhuma receita que se encaixe em todos os relacionamentos. Se
apresentarmos uma resposta padronizada, estaremos caindo no erro
de ferir a individualidade das pessoas. Individualidade não é
individualismo. O Individualismo pressupõe que somos seres
independentes. Como cristãos, porém, sabemos que somos um corpo,
e como tal, desenvolvemos uma relação de interdependência com
os demais membros. O individualismo é, portanto, anticristão. Já
a Individualidade é a marca que nos distingue como seres únicos;
e esta singularidade, estabelecida por Deus, deve ser respeitada.
E
por último: alguns fazem objeções ao namoro ou à corte
alegando que não é bíblico, sendo algo cultural. Mas, se
seguirmos esta linha de raciocínio deveremos, por exemplo,
questionar também nossa liturgia. O modelo de nosso culto foi
herdado, não da igreja primitiva, mas da Reforma Protestante e
nem por isto deixa de ter seu valor. O namoro (corte) pode ser uma
prática cultural moderna, no entanto ele não é dispensável e
muito menos antibíblico. O evangelho não anula e nem violenta a
cultura, antes lhe comunica padrões morais que são
transculturais. Quando o evangelho foi pregado aos gentios, alguns
judaizantes quiseram impor a prática da circuncisão aos crentes
da Galácia e por esta causa foram severamente repreendidos por
Paulo em sua carta. O namoro, portanto, é uma prática legítima
de nossa cultura.
Mas
a pergunta ainda persiste: "Até onde posso ir? O que é lícito
fazer? O que a Bíblia orienta?" Apesar do namoro ser algo de
nossa cultura, os princípios que o regem devem ser
necessariamente bíblicos. Olhando com honestidade para as
Escrituras chego à seguinte conclusão: Deus proíbe
terminantemente a defraudação e o sexo antes do casamento; no
entanto, em nenhuma parte da Bíblia, Deus nos proíbe de pegar na
mão, de abraçar ou até mesmo beijar. Porém, desde Gênesis ao
Apocalipse existe uma ordem expressa de Deus para que nós não
pequemos. Minha resposta é: se o simples ato de pegar na mão faz
você ou seu (sua) cortejado (a) pecar, não pegue. Se abraçar te
faz pecar, não abrace. Se beijar te faz pecar, não beije. O
"problema" não está no ato em si, mas na intenção
que o originou. Jesus enfatizou este ponto ao dizer que "se
alguém ao menos olhar para uma mulher com intenção impura, no
seu coração já adulterou com ela" (Mateus 6:27-28). Somos
livres em Cristo, contudo não podemos usar da liberdade para dar
lugar à libertinagem e à defraudação.
Jovem,
se você estiver compromissado em agradar a Deus, você conhecerá
qual é o seu limite e saberá respeitar o outro. O verdadeiro
namoro santo começa no interior, no coração, onde ninguém vê
e depois se manifesta para a glória de Deus. A mudança deve,
necessariamente, ser de dentro para fora, de outra sorte seremos
apenas religiosos cumpridores de regras. Fomos chamados a viver no
Espírito, o Apóstolo diz:
"Vivam
no Espírito e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne.
Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito,
o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o
outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. Mas, se vocês
são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da Lei. Ora, as
obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e
libertinagem, idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes,
ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias
e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti:
aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência,
amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus
crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se
vivemos no Espírito, andemos também no Espírito." (Gálatas
5:16-25).
Jesus
resumiu toda a Lei em dois mandamentos: "Amar a Deus acima de
todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos." Minha oração
é que cada jovem de nossa igreja saiba usar a liberdade que Deus
nos deu. Somos livres não para pecar, mas para agradar a Deus. Não
somos mais escravos do pecado, temos agora um novo Kyrios (Senhor
absoluto), e a Ele devemos nos sujeitar em amor. Nosso namoro,
nosso ministério, nosso dinheiro e tudo mais devem ser
consagrados a Deus. Todas as coisas convergem em Cristo, como está
escrito: "Porque dele, por ele e para ele são todas as
coisas. A ele a glória pelos séculos, amém." (Romanos
11:36). Que Deus o abençoe.
Pedrinho
www.lagoinha.com
Extraído do site: Solteiros
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