Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se. (1Co 7:9)

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Quais os limites do namoro?

Esta pergunta merece algumas considerações, antes de ser respondida.

 

Primeiro: Esta pergunta expressa um genuíno desejo de desenvolver um relacionamento agradável a Deus. É dever de todo cristão agradar em tudo ao seu Senhor. A Bíblia nos diz: "Quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus" (I Coríntios 10:31).

 

Segundo: o contato físico não é a prioridade do namoro. Neste período, você deve se concentrar no desenvolvimento de virtudes como: confiança, respeito e amizade, que serão a base de um futuro casamento; e o contato físico pouco, ou nada, tem a contribuir neste aspecto.

 

Terceiro: Responder a esta pergunta estabelecendo regras e proibições é uma tentativa extremamente simplista e inócua. Em Colossenses 2:20-23, o Apóstolo nos diz que regras como "não prove", "não toque", são mandamentos e ensinos humanos; e completa: "Estas coisas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne". O salmista pergunta: "Como pode o jovem manter pura a sua conduta?" E ele mesmo dá a resposta: "Vivendo de acordo com a Palavra de Deus." (Salmo 119:9). Se nosso amor e compromisso com Deus, não nos impedem de pecar, não serão regras e proibições que irão fazê-lo.

 

Portanto, não existe nenhuma resposta pronta para esta pergunta. Não há nenhuma receita que se encaixe em todos os relacionamentos. Se apresentarmos uma resposta padronizada, estaremos caindo no erro de ferir a individualidade das pessoas. Individualidade não é individualismo. O Individualismo pressupõe que somos seres independentes. Como cristãos, porém, sabemos que somos um corpo, e como tal, desenvolvemos uma relação de interdependência com os demais membros. O individualismo é, portanto, anticristão. Já a Individualidade é a marca que nos distingue como seres únicos; e esta singularidade, estabelecida por Deus, deve ser respeitada.

E por último: alguns fazem objeções ao namoro ou à corte alegando que não é bíblico, sendo algo cultural. Mas, se seguirmos esta linha de raciocínio deveremos, por exemplo, questionar também nossa liturgia. O modelo de nosso culto foi herdado, não da igreja primitiva, mas da Reforma Protestante e nem por isto deixa de ter seu valor. O namoro (corte) pode ser uma prática cultural moderna, no entanto ele não é dispensável e muito menos antibíblico. O evangelho não anula e nem violenta a cultura, antes lhe comunica padrões morais que são transculturais. Quando o evangelho foi pregado aos gentios, alguns judaizantes quiseram impor a prática da circuncisão aos crentes da Galácia e por esta causa foram severamente repreendidos por Paulo em sua carta. O namoro, portanto, é uma prática legítima de nossa cultura.

Mas a pergunta ainda persiste: "Até onde posso ir? O que é lícito fazer? O que a Bíblia orienta?" Apesar do namoro ser algo de nossa cultura, os princípios que o regem devem ser necessariamente bíblicos. Olhando com honestidade para as Escrituras chego à seguinte conclusão: Deus proíbe terminantemente a defraudação e o sexo antes do casamento; no entanto, em nenhuma parte da Bíblia, Deus nos proíbe de pegar na mão, de abraçar ou até mesmo beijar. Porém, desde Gênesis ao Apocalipse existe uma ordem expressa de Deus para que nós não pequemos. Minha resposta é: se o simples ato de pegar na mão faz você ou seu (sua) cortejado (a) pecar, não pegue. Se abraçar te faz pecar, não abrace. Se beijar te faz pecar, não beije. O "problema" não está no ato em si, mas na intenção que o originou. Jesus enfatizou este ponto ao dizer que "se alguém ao menos olhar para uma mulher com intenção impura, no seu coração já adulterou com ela" (Mateus 6:27-28). Somos livres em Cristo, contudo não podemos usar da liberdade para dar lugar à libertinagem e à defraudação.

Jovem, se você estiver compromissado em agradar a Deus, você conhecerá qual é o seu limite e saberá respeitar o outro. O verdadeiro namoro santo começa no interior, no coração, onde ninguém vê e depois se manifesta para a glória de Deus. A mudança deve, necessariamente, ser de dentro para fora, de outra sorte seremos apenas religiosos cumpridores de regras. Fomos chamados a viver no Espírito, o Apóstolo diz:

"Vivam no Espírito e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da Lei. Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem, idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito." (Gálatas 5:16-25).

 

Jesus resumiu toda a Lei em dois mandamentos: "Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos." Minha oração é que cada jovem de nossa igreja saiba usar a liberdade que Deus nos deu. Somos livres não para pecar, mas para agradar a Deus. Não somos mais escravos do pecado, temos agora um novo Kyrios (Senhor absoluto), e a Ele devemos nos sujeitar em amor. Nosso namoro, nosso ministério, nosso dinheiro e tudo mais devem ser consagrados a Deus. Todas as coisas convergem em Cristo, como está escrito: "Porque dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória pelos séculos, amém." (Romanos 11:36). Que Deus o abençoe.

 

Pedrinho

www.lagoinha.com


Extraído do site: Solteiros Cristãos


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