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PREFÁCIO
O
Seminarista Marcos da Silva em 1990, recebeu um chamado Missionário,
confirmado com decorrer dos anos. Em busca de um conhecimento aprofundado
da Palavra de Deus, embora tenha feito um curso por correspondência do
I.C.I. – Instituto por Correspondência Internacional em 1987 à 1988,
curso este composto por 18 (dezoito) livros de diversos assuntos em
preparação de Evangelistas, Pastores ou Missionários. Buscou ainda em
1990 à 1991 cumprir carga horária em um seminário com a finalidade de
reconhecimento humano de suas habilidades, no Seminário Pastor Cícero
Canudo de Lima, extensão da Sede das Assembléias de Deus, Ministério do
Belém.
Com desejo de um estudo mais científico, foi procurar um Seminário que
satisfizesse suas perspectivas. Inscreveu-se então no I.B.E.S. –
Instituto Betel de Ensino Superior, em 1991, concluindo o curso no ano
corrente em 1995.
“Muitas são as aflições de um Seminarista, mas o Senhor os livra de
todas.”(adaptação Marcos da Silva) Slm. 34:19.
CAPÍTULO
I - JEJUM
Original
do Hebraico ( Y (Tsom), no Grego nhsteia (Nesteía), ambos com o
significado de Jejum como um rito cultual entre as reuniões religiosas.
É um verbo no particípio, presente, ativa, nominativo, masculino,
Segunda pessoa singular (TU). Jejum segundo Aurélio é a abstinência,
total ou parcial, de alimentação ou bebidas em determinados dias, por
penitência ou prescrição religiosa ou média. Quando diz abster-se é o
mesmo que conter-se, refrear-se, privar-se (de alimento como; açúcar,
carne, óleo entre outros, de bebida; alcoólicas, refrigerantes etc.).
Jejum
é um assunto, polêmico, pois, nas religiões ocorrem diferentes práticas,
diferentes horários, e propósitos diferentes. Vamos concluir O que é
Jejum? Quando Jejuar? Pra que Jejuar? Aonde Jejuar? Como Jejuar? Por que
Jejuar?
Em breves palavras, definiremos acima qual é o
significado da palavra Jejum. Algumas pessoas, por prescrições médicas,
devem privar-se de alguns alimentos, ou bebidas, ou qualquer outra coisa
que seja necessária para tratamento ou exame. Neste caso, vemos o Jejum
parcial ou total. No caso de penitência, é o mesmo que, uma pessoa com
funções hierárquicas superiores, impor regras de um regimento
governamental.
O ponto em que vamos nos prender é o Jejum como
um rito cultual e suas diferentes formas de prática. O texto que vamos
utilizar como base para o desenvolvimento deste estudo é o texto Bíblico
de Isaías 58, onde o Profeta fala sobre o “verdadeiro Jejum”. Neste
capítulo, o profeta, também conhecido como Evangelista do A.T., narra
sobre este tema, a fim de levar a verdadeira forma de jejuar, projetava um
programa de paz entre Deus e a humanidade.
No início narrava ao povo uma ordenança que
recebera de Deus para transmiti-los, que deveriam clamar em alta voz para
que se fizesse conhecido os seus pecados e transgressões. No segundo
verso do mesmo capítulo, Deus prova seu amor e zelo para com seu povo,
expressando por meio do profeta que o povo estava sendo assistido por Ele,
dia a dia onde eles O tem procurado e tem prazer em saber sobre os Seus
caminhos e em achegar-se diante D’Ele.
Podemos ver que nos dois primeiros versos o povo
errava por não conhecerem a forma correta de adorar ao seu Deus. Por Deus
amá-los, enviou-lhes um profeta para anunciar-lhes que da forma que
estavam fazendo era errado e que eles deveriam aprender para fazerem da
forma correta.
Muitos pastores, missionários, obreiros em geral
e estudiosos, tem ensinado o povo sobre o Jejum e afirmam com convicção
que existe o Jejum parcial, como rito cultual, tentando justificar a sua
fraqueza em abster-se de alguns alimentos e não de bebidas no ato do
Jejum, e alguns vão até mais adiante utilizando de algumas passagens Bíblicas
para justificarem sua tese. Como exemplo; Lc. 4:2 “por quarenta dias foi
tentado pelo diabo. Naqueles dias não comeu coisa alguma, e terminado
eles, teve fome”.
Algumas pessoas alegam com base nisto, que por não
ter sido mencionado que Ele não bebeu coisa alguma, Ele tenha feito Jejum
parcial e durante este período tenha bebido água, pois no deserto é
muito quente e sofria uma desidratação se não bebesse água.
Pensando pelo lado da lógica, no deserto não
tinha água, imagine que em nossos dias quando fica um mês sem chover, já
começamos a fazer racionamento de água. No deserto, ficavam anos sem
chover, será que mesmo assim tinha água?, ou será ainda que Jesus teria
levado um comboio de caminhões pipa ou camelos e ambos sobreviveram só
com água?
No meu entender Jesus não bebeu água por várias
razões e uma delas até mesmo porque Ele estaria sendo menor do que Moisés,
que durante quarenta dias jejuou abstendo-se de alimento e água.
Em (Dan. 1: 11-21) trata-se de um jejum parcial,
mas não com finalidade de consagração a Deus. O jejum relatado nesta
passagem bíblica, foi feita com legumes e água, diz o verso 15 que “Ao
fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores, eles estavam
mais bem nutridos do que os outros os jovens que comiam a porção do
manjar do rei.”
Alguns, ousam dizer que este jejum parcial,
abstendo-se de vinho e manjar do rei, foi com o objetivo de testemunharem
a cerca das maravilhas de Deus. Na verdade todos nós todos sabemos que a
carne leva no mínimo 48hs para ser digerida em nosso estômago, mesmo
usando todos os processos normais, já os legumes, levam somente de cinco
a seis horas para serem digeridos.
Os Judeus tinham e tem por costumes, fazer estes
jejuns parciais, ou total para benefício de sua própria saúde e não
como um rito cultual. Ao alimentar-se de legumes e água, diz a palavra
que lhes pareciam mais nutridos, pois, através das necessidades fisiológicas
e da transpiração, eles eliminavam as impurezas orgânicas que o corpo
absorvera no ingerir dos alimentos como a carne.
Em Salmos capítulo 14:4 “Acaso não tem
conhecimento os obreiros da iniqüidade, que comem o meu povo como se
comessem pão, e não invocam o Senhor?”.
Este texto serve para alertar aos líderes das
igrejas, que não tem conhecimento e por esta razão não conseguem
enxergar os erros, as iniqüidades do povo e sua própria e por esta razão
não invocam ao Senhor, pois crêem que está tudo bem e quando o povo
aflige sua alma ou jejua, não alcança a vitória ou benção e
desanimam-se, frustram-se, pois, ele sempre aprendeu que Deus olha para a
intenção do coração.
Um provérbio popular bastante usado pelos
pregadores, é que o inferno está cheio de pessoas com boas intenções,
mas sem nenhuma obra. Não é o caso, pois o povo tem praticado, mas de
forma errônea e por esta razão Deus mandou e tem mandado seus profetas,
obreiros (Pastores, Evangelistas, Apóstolos, Presbíteros, Missionários,
etc.), para que advirtam suas ovelhas e os instruam, qual a forma correta
de se Jejuar.
CAPÍTULO II
- POR QUE JEJUAMOS
“Dizem: por que jejuamos nós, e tu não atentas
para isso?”, por que afligimos nossas almas, e tu não sabes?, contudo
no dia em que jejuas, prosseguis nas vossas empresas, e explorais todos os
vossos trabalhadores.” (Is. 58:3)
Exemplo prático de um povo em conflito com seus
princípios, surgem uma série de indagações sem respostas, quando surge
alguém que conhece, os ensina, libertando-os do Jugo da ignorância. (Jo.8:32)
Tive já estas experiências, onde Jejuava das
06hs00 até 12hs00 constantemente enquanto trabalhava. Na verdade,
descobri que estava afligindo minha alma, mas na verdade, não estava
adorando a Deus sinceramente, pois enquanto trabalhava, não lia a Bíblia,
não louvava, não ouvia Deus falar e mesmo quando lia a Bíblia e orava,
não cantava, não fazia durante todo o período, pois ao mesmo tempo, me
preocupava com meus afazeres profissionais, me aborrecia, discutia, entre
outras coisas que não permitia uma constante na comunhão com o Pai. É
exatamente sobre isso que o profeta no verso acima fala.
Em Jeremias 36:6 expressa a importância de lermos
a Bíblia enquanto jejuamos.
CAPÍTULO III - QUAL O PROPÓSITO DO JEJUM
Em Êxodo 34:28, vemos que Moisés jejuou para
ouvir a voz de Deus, aprender os seus mandamentos e receber a sua Lei,
para estar apto a ensinar o Povo.
Alguns pregadores, ainda se preparam para receber
a mensagem de Deus para retransmití-las ao povo, praticando o jejum, como
fizera Moisés, mas infelizmente, são poucos os que fazem isso em nossos
dias e com isso quem perece é o povo que não se preparam para ouvir a
lei, os mandamentos, as promessas de Deus, enfim, as Sagradas Escrituras e
por esta razão perecem.
Há alguns pregadores que ousam dizer que na última
hora Deus mudou a mensagem. Isto só ocorre se o obreiro não se preparou,
não preparou a mensagem e ou insiste em fazer a sua vontade e não a de
Deus, aí Deus muda mesmo, caso contrário, ele vai se preparar, ouvir
Deus falar, então estará apto para transmitir a palavra de Deus ao povo
e assim não ficarão debilitados, comendo comida crua sem ser preparado.
Em Levíticos 16:31, mostra o rito cultual usado
pelo povo de Israel durante o dia da expiação, onde tinha toda uma regra
desde as vestimentas , até ao animal a ser oferecido no sacrifício
expiatório. No verso 31 especificamente, depois repetido no capítulo 23,
verso 27 e 32 do mesmo livro, expressa o dia determinado para oferecer e
diz ainda que deveria afligir sua alma ou jejuar e esse seria um estudo
perpétuo. Será que o perpétuo foi mudado e findou-se?
No verso 28 diz que não deveria se trabalhar
nesse dia e quem não afligisse sua alma nesse dia e ainda trabalhasse,
seria eliminado, destruído do meio do seu povo (v. 29,30) e confirma ser
este ensinamento, um estudo perpétuo (v. 31). Neste contexto vimos o
jejum para expiação do pecado.
Temos caso também de jejum intercessório em
busca de uma resposta de Deus para solução de problemas. Em Daniel
6:18-21, o rei Dario passou afligir sua alma com Jejum, quando Daniel foi
lançado na Cova dos Leões. O rei afligiu sua alma de tal forma, que nem
permitiu que levassem a sua presença instrumentos musicais, pois os
mesmos poderiam amenizar sua dor. É importante ressaltar que o rei Dario
não falou que estava fazendo jejum e Jesus ensinou a seus discípulos a
agirem da mesma forma. Encontramos este relato no
livro do Evangelho de São Mateus, capítulo 6:16-18.
O jejum não tira pecado em nossos dias, mas
aumenta nossa comunhão com Deus, não expulsa demônios, mas nos deixa
preparados para enfrentá-los com mais afinidade. Demônios se expulsam é
no nome de JEJUS e não em nome do jejum. Alguns podem perguntar; Por que
os discípulos não conseguiram expulsar a casta de demônios?, Jesus os
repreendeu dizendo: - “Geração incrédula e perversa!,” então,
existiam 02 (dois) fatores que os impediam de expulsar os demônios, a
incredulidade em si próprios e impiedade. (Lc. 9:40).
Jejuar era um costume Judeu e do povo fariseu, por
esta razão, os discípulos de João questionaram a Jesus em (Lc.
5:33-39); “Os discípulos de João jejuam com freqüência e oram, como
também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem.” Jesus lhes
respondeu através de parábolas que eles andavam com Jesus e por isso
estavam sob os cuidados dele e por esta razão Jesus os ensinavam a
conservarem em comunhão e limpos de coração, não havendo assim a
necessidade de penitência.
CAPÍTULO IV
- O QUE FAZER QUANDO JEJUAMOS?
Segundo os ensinamentos do Capítulo 58 de Isaias,
o qual estamos utilizando como base deste estudo, vemos que (v.6) não
devemos ficar na constância do pecado, mas sim ordenar libertação do
pecado para si próprio e para seu próximo. Praticar a caridade ajudando
seu próximo não somente com orações e suplicas mas também com dádivas
de alimento, roupa outra utilidade para o carente (v.7).
Quando clamares, crendo, receberás prontamente
aquilo que tu pediste, diz os verso 8 e 9 que Deus prontamente responderá
a sua oração.
Deverá testemunhar a cerca das obras que Deus tem
realizado em sua vida, sendo um Arauto do Rei, anunciando o Evangelho da
Salvação, sendo isto saúde para ti e para os que te ouvirem (v. 10). A
tendência é sua descendência ser reparadores de brecha como tu és,
pois os mesmos darão continuidade ao seu ministério.
Não deverás trocar o dia determinado para jejuar
por diversão ou outra coisa que não seja para o Senhor. Como por
exemplo: Estar jejuando e assistindo TV, estar jejuando e ouvindo rádio,
estar jejuando e jogando futebol, ou é para o Senhor ou é para você?
Algumas pessoas questionam a cerca do
relacionamento sexual com o cônjuge, é certo ou não praticá-lo quando
se está jejuando? É bom que se abstenha de qualquer prazer da carne,
mortificando-a e fortalecendo seu espírito, mas, caso seu cônjuge não
compreenda então, respeite-o (a) e apresente-se diante do Senhor para que
Deus ouça sua oração e a responda, preparando seu cônjuge para
respeitar-lhe. (v.8-9. Devemos buscar honrar ao Senhor, não seguindo
nossos próprios caminhos (v.13-14)).
Até mesmo, por que conforme I CORINTIOS 7.3,4
“O marido pague à mulher o que lhe é devido, e do mesmo modo a mulher
ao marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas
sim o marido; e também da mesma sorte o marido não tem autoridade sobre
o seu próprio corpo, mas sim a mulher.”
Não trabalhar enquanto jejuas, a não ser para o
Senhor, evangelizando, visitando os enfermos e oprimidos e anunciando a
sua palavra.
Não falar palavras vãs é essencial pois o que
mata o ser humano não é o que entra pela boca, mas sim o que sai.(Pv.18.21)
“A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá
do seu fruto”.
Se cumprirdes com esta palavra, serás próspero
nas bênçãos materiais, financeiras e profissionais, na sentimental,
espiritual, na saúde, entre outras que o Senhor tem preparado para o seu
povo.
Enquanto jejuas leia a Bíblia. (Jr. 36-36)
Enquanto jejuas ore
(Lc. 5-33)
Enquanto jejuas cante ao Senhor (Mt. 26-30)
Ao expressar-se desta forma a Deus, você estará
agindo da forma correta.
CAPÍTULO V
- AO TERMINAR O PERÍODO DE JEJUM COMO DEVEMOS PROCEDER?
Jesus não condena o Jejum propriamente dito, mas,
sim, somente o jejuar com ostensão (exibicionismo, aparência). O jejum não
se deve realizar diante dos olhos dos homens, mas diante de Deus que vive
em segredo e vê o lugar secreto. Podemos indicar estas palavras como que
para os judeus e não à comunidade dos discípulos.
Em At. 13:3 e 14:23, lemos que, na igreja cristã,
a oração era apoiada pelo jejum.
Podemos concluir que a idéia de que por si mesmo
foi abandonada, mas que na igreja primitiva na Palestina ainda retinha a
prática do jejum a fim de demonstrar que suas orações eram sinceras.
Em nossos dias, após jejuarmos o período
determinado por nós ou outra pessoa, temos por vencida mais uma etapa,
onde entregamos a Deus nosso jejum orando, pedindo que Deus aceite o nosso
sacrifício de Louvor, (Slm. 50:14), ou uma oferta de um culto racional (Rm.
12:1), onde dispusemos de tempo de aprendizado da palavra de Deus e comunhão
com Ele, assim o entregamos como consta em (Ap. 8:1-5) e já recebemos a
resposta divina.
BIBLIOGRAFIA
COLIN BRAWN – EDITOR GERAL, LOTHAR COENEN – EDITOR GERAL
DA EDUCAÇÃO EM ALEMÃO – O NOVO DICIONÁRIO INTERNACIONAL
DE TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO, SOCIEDADE RELIGIOSA
EDIÇÕES VIDA NOVA.
CARLOS GRASSI – FÉ E PODER, EDIÇÕES CARLOS GRASSI
JOÃO FERREIRA DE
ALMEIDA – BÍBLIA SAGRADA, EDITORA VIDA.
Fonte:
Evangélicos.com
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